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“Integrar / Desintegrar”

As imagens visuais típicas do nosso ambiente são vividas através da aceleração tecnológica
e produzidas por máquinas que esperamos que nos superem cada vez mais mas,
a melhor máquina somos Nós. O Homem apesar de todas as suas falhas e erros ainda assim é
a máquina perfeita. Processamos mais informação que qualquer computador mais rápido que exista.

No entanto, não satisfeitos pelo seu desempenho procuramos através da engenharia genética
desenvolver a máquina perfeita de carne e osso, com partes substituíveis. Não aceitando
o tempo orgânico da vida. O ciclo natural, nascer, viver e morrer.

“Estamos realmente a convertermo-nos em cyborgs e que, assim como cada tecnologia
estende uma das nossas faculdades e transcende as nossas limitações físicas,
tendemos a adquirir as melhores extensões do nosso corpo.” (1)

A nossa estrutura interna é uma rede de órgãos em constante comunicação e
se algum deles falha, esta é abalada, podendo entrar em colapso.

Deste ponto de vista, as sociedades contemporâneas ocidentais são estruturas idênticas à nossa,
são em si, aparentemente muito bem organizadas; a grande diferença entre si é que vivem
com tempos, ritmos completamente distintos, ainda que se tente a todo custo organizar a vida
de modo a que a comunicação de ambas se assemelhe.

“A resistência de uma estrutura ao stress depende do seu design global, da sua composição material,
da sua escala e, acima de tudo do seu ritmo. Estes, são critérios fundamentais a tomar em
consideração para manter a saúde das organizações em momentos de rápida mudança.” (2)

A aceleração tecnológica, embora produzida e alimentada por nós, está a produzir efeitos nefastos
no nosso ritmo biológico. O nosso bios é distinto do bios electrónico, contudo acostumamo-nos
à velocidade e adaptamo-nos como fizemos ao longo da existência no planeta. Mesmo assim e,
tomando como exemplo a água, elemento fundamental à vida, quando através do calor
aceleramos as moléculas H2O estas convertem-se em vapor.

A aceleração contínua prende-nos cada vez mais à trama tecnológica homogeneizando os
estímulos sensoriais em sequências de zeros e uns. É o colapso psicológico e emocional das
sociedades contemporâneas. Na era da comunicação em rede permanente afastamo-nos cada vez
mais da comunicação do próprio “eu”.

Teixeira Barbosa
Janeiro 2009

(1) (2) Kerckhove, Derrick de, “La piel de la cultura”

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