Mãos, memória esculpida em tendões, onde coisas perdidas se fecham entre ressonâncias e bordas. Irmãs gémeas trémulas, arquitetas da ruína e da ressurreição, sustentando lâminas de fúria e preces meigas.
Se trata de un recorrido por un hogar desde el punto de vista del ama de casa, en el que no se hace una visión descriptiva, sino rastreadora, utilitaria, a la búsqueda del trabajo que debe ser hecho. El montaje es muy evidente, haciendo un paralelismo entre la «magia» y la «invisibilidad» del trabajo doméstico. El vídeo está pensado para proyectarse en loop, ya que se trata de una actividad que se repite todos los días exactamente igual y que comienza al día siguiente en el mismo punto en el que termina el anterior. El título hace alusión al tiempo que ha sido borrado de la grabación original.
(Barzakh): entre gestos e pertenças
vídeo-performance
5'
2025
Barzakh: entre gestos e pertenças é uma vídeo-performance que habita o espaço liminar de uma identidade híbrida, onde o corpo se torna território de inscrição e resistência.
Apresentando-me em dualidade entre as minhas origens portuguesa e iraniana, visto uma camisola branca onde foram bordadas, em vermelho, na frente e no verso, as palavras em português e farsi: portuguesa / iraniana .
Por entre o confronto com o espectador, os gestos e os movimentos na mudança de lado, evidencia-se não só a fragilidade social a que uma identidade é submetida, mas também a potência de se poder pertencer a mais do que um lugar.
O título barzakh, palavra de origem árabe e amplamente utilizada no imaginário persa, evoca um espaço de transição entre dois mundos — entre o visível e o invisível, o aqui e o além, o eu e o outro. Neste trabalho, barzakh é reapropriado como metáfora de uma condição vivida: o corpo que existe no intervalo, que não se fixa, que borda em si mesmo a sua pertença múltipla.
série shortordinary, vídeo 5
música I'm In The Mood For Love - Julie London
Parte da série de vídeos shortordinary, realizada durante o contexto de pandemia entre 2019 e 2020, o vídeo DELIGHT propõe um olhar atento à estética do cotidiano. Em poucos segundos, o vídeo articula uma liturgia visual da rotina — onde pequenos encontros, gestos e paisagens ganham presença. Um exercício de atenção ao que passa despercebido, mas que, uma vez visto, transforma a percepção do tempo e da presença. A série foi inteiramente filmada com smartphone, reunindo cenas do cotidiano em vídeos de até 60 segundos, acompanhados por trilhas sonoras extraídas de playlists criadas durante o isolamento.
(1981), artista plástica, apresenta um trabalho multidisciplinar no campo do desenho, da fotografia, do vídeo, da escultura, da performance e da escrita. O seu percurso artístico reflete questões de identidade, corpo, religião e política. É licenciada em Artes Plásticas – Pintura e pós-graduada em Teoria e Prática do Desenho pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Foi docente de Desenho e de Artes Visuais no ensino secundário e no ensino superior.
(España) ha trabajado sobre los procesos de subjetivización y la función normalizadora de los espacios a través de la fotografía, el vídeo y la instalación. En los últimos trabajos esta problemática se materializa en una serie de procesos de investigación y acciones para el espacio público. A partir de estas acciones e investigaciones, y con la ayuda de objetos creados específicamente para cada proyecto, intenta promover situaciones que activan al espectador o colaboradores en el proyecto. De este modo se pueden generar otras narrativas y activar archivos o lugares.
(1989, Londres) artista plástica, performer e educadora artística portuguesa-iraniana, vive e trabalha no Porto. Doutoranda em Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, é mestre em Estudos Artísticos e licenciada em Artes Plásticas – Multimédia pela mesma instituição. A sua prática artística, que envolve performance, videoarte, fotografia e gastronomia, centra-se nas questões de identidade, território, (pós)migração, deslocamento, género, arquivo e memória, refletindo, sobretudo, sobre o seu lugar de pertença.
É´ artista e investigadora, vive e trabalha em Portugal. É doutoranda em Artes Plásticas na FBAUP e mestre em Criação Artística Contemporânea. Recebeu menções honrosas em seus vídeos ‘Da verdade e do tempo’ (2020) e ‘Na antessala da consciência’ (2022). O seu trabalho tem sido apresentado em festivais de vídeo experimental como o PROYECTOR/Festival de Videoarte (ES), FUSO (PT), Porto FEMME International Film Festival (PT), Festival Aparição/Desaparição (BR) e Alternative Film Festival (UK).
Partindo do convite da Exteril para 3 momentos de apresentações n’O Poste, as ideias para esta curadoria pretenderam pensar na perspectiva de (isto é a partir de) o corpo, as suas rotinas, a sua pertença ao ecossistema, a sua sobrevivência. Pensar que o corpo é, primordialmente, um verbo.
Cada Momento procura fios de conexão entre as 3 ou 4 participantes que, no entanto, não se agregam de forma estritamente temática. São na verdade vídeos performáticos, todos eles. No Momento 1 - Diaries of Bodies, os vídeos apresentados revolvem em torno da noção identitária de um corpo situado entre (Rebecca Moradalizadeh); do eu em torno de si, como obsessão que ecoa para outros corpos (Bárbara Fonte); e das posições que o corpo assume na invisibilidade dos quotidianos enquanto mapeia espaços e gestos sem nunca se revelar (Carme Nogueira e Sally Santiago).
O Momento 2 - Earthly Bodies, procura perceber a posição que o corpo ocupa num entorno em desmoronamento, numa procura que se adivinha a qualquer preço para se fundir com a terra (Inês Tartaruga Água); ou para, desesperadamente, abarcar a imensidão de um deserto-origem (Susana Soares Pinto); ou ainda imaginando a possibilidade de entender a floresta, que se esfuma a cada dia, como o lugar de todos os corpos (Gabriela VP). No Momento 3 - Bodies of Survival, caminhamos para um naufrágio em potência, agarradas ao eco dos afetos (Carolina Grilo Santos); ou, enfrentando uma parede de solidão onde ecoa o caos descontrolado do mundo contrariado apenas pela empatia animal (Hernâni Reis Baptista); ou finalmente, insistindo na luta, os corpos envolvem-se na emergência de um corpo colectivo que tarda em acontecer (Juliana Julieta).
O conjunto de pequenos vídeos não apresenta o corpo enquanto entidade unívoca, mas sim na sua existência fraturada por diversas realidades e emergências, não precisando sequer de se lhe referir de forma direta. Sabemos que é através dos corpos que vivemos o quotidiano, que nos entendemos enquanto parte do mundo, biológico, mineral e artificial, e que dependemos in extremis de uma sobrevivência que é também social.
Gabriela Vaz-Pinheiro é formada em Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, possui o Mestrado Europeu em Cenografia pelo Central St. Martins College e Utrecht School of the Arts, Mestrado em Teoria e Prática da Arte Pública e Design pelo Chelsea College of Art & Design, e Doutoramento por projecto pelo Chelsea College. Leccionou na Central St. Martins College of Art & Design, em Londres, entre 1998 e 2006. Tem exposto em contextos diversos, tendo recebido bolsas de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian, Ministério da Cultura, da Contemporary Art Society e do The London Institute, e recebeu, como artista, o apoio da Direcção Geral das Artes / Instituto das Artes. Possui contínuo trabalho editorial, com múltiplos livros publicados e textos em catálogos. Responsável pelo Programa de Arte e Arquitectura para Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, tem realizado trabalho curatorial com várias colecções institucionais e também em contextos expositivos alternativos. Docente, desde 2004, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, onde dirige o Mestrado em Arte e Design para o Espaço Público e é Membro Integrado do i2ads, Instituto de Investigação em Arte Design e Sociedade.