• 1548. Francisco de Holanda e a Arte do Desenho. (notas)
27. Teoria (theôrein) é a acção de contemplar, visual ou mentalmente. Em concreto: espectáculo ou cerimónia, normalmente associada a ritos religiosos. O que implica o contemplador e o espectador.



28. DERRIDA - Ibidem, p.24.



29. Vd.HOLANDA - Da Pintura Antiga. op.cit., cap.14, p.43.



30. «Que há-de ver o entendimento do pintor com os olhos interiores em grandissimo silêncio e segredo»; sobre o capítulo dedicado à Ideia, vd. HOLANDA - Ibidem, p.43-44.; p.45.



31. HOLANDA - Da Ciência do Desenho, op.cit. p.20.



32. Deswartes-Rosa, contrariando as teses que relegavam o pensamento de Holanda à tradição escolástica, confirma o que Panofsky tanto procurava: o pensamento neo-platónico convertido em teoria da arte. No entanto, a consideração do alheamento da filosofia de Platão relativamente à arte, exclui, na análise de ambos os autores, as consequências

profundas da razão deste alheamento, reduzindo por isso a ideia à idealização, à continuidade aristotélica do belo, apesar de Holanda e de Miguel Ângelo, DESWARTE-ROSA-Ideias e Imagens em Portugal, op.cit.p. 90-95. «Trata-se de um autor de verdadeira dimensão europeia no domínio da teoria das artes, de tal modo assumiu, em primeira mão,

os conceitos de maniera e de idea criadora num contexto filosófico-metafísico de base neo-platónica, transformando-os em instrumentos operativos para a renovação estética da arte portuguesa e para a autonomização estatuária dos seus praticantes», SERRÃO, Vitor - "A pintura maneirista em Portugal: das brandas «maneiras» ao reforço da propaganda" in História da Arte portuguesa. Lisboa: Círculo de Leitores, 1995. Vol. II "p.445.



33. Ao invés da explicação da sociologia, tese partilhada por Vitor Serrão, a posição de «vanguarda» do pensamento teórico de Holanda é, na singularidade que o constitui, uma intelectualidade por direito próprio. Se a «influência» vitruviana predomina sobre a adequação da retórica, ela não só explica o modo como o pensamento de Holanda

claramente se reporta ao Antigo, ao Antigo moderno, como inscreve a sua ordem de pensamento num modelo fundador. Prisca Pintura dirá Holanda, dando razão ao gesto inaugural do pensamento da arte, pensada na sua «origem». O que nos leva a pensar: o

que é a mimésis? O que representar quando há tudo a representar? A Aetatibus Mundi Imagines é uma resposta possível? Vd. DESWARTE-"Francisco de Holanda: Maneira e Idea", op. cit., p.67.



34. Eis a apologia da liberdade criadora do «verdadeiro pintor», como Sylvie Deswarte definiu a declaração de Holanda: «Por meu conselho o engenho excelente e raro não deve contrafazer ou imitar nenhum outro mestre; senão imitar-se antes a si mesmo e fazer por dar elle aos outros antes novo e nova maneira que emitar e di que possão aprender. E licença

lhe daria de exercitar a fantasia no que lhe ella aconselhasse e desejasse fazer, e isto não muito tempo, e assai o fará todo engenho que se não pode conter de não arrebentar em stouros e flamas, como uma rota bombarda». HOLANDA - Da Pintura Antiga, op.cit., livro I, cap. 9,p.35.



35. Vd. ALVES, José da Felicidade - Introdução ao estudo da obra de Francisco de Holanda. Lisboa: Livros Horizonte, 1986, p.145-185.



36. «Onde eu, que sou o menor dos grandes desenhadores, desejo de minha parte quanto posso não esconder nem deixar assim perder quanto é maior do que se sabe esta nobilíssima arte, que a mim por destino coube em sorte», vd. HOLANDA - Ibidem, prólogo de Pintura Antiga, p.15-18. «L'homme de son premier voyage» como assinala Robert Klein.



37. Vd. SEGURADO, J. - Francisco d' Ollanda. op. cit., p.261-369.



38. Ibidem, p.15.



39. HOLANDA - Da Ciência do Desenho, op.cit., p. citado por SERRÃO, Vitor - Ibidem, p. 445.